Quando criança, o grande sonho de minha mãe, d. Maria Aurora dos Santos, era que seu filho mais velho, fosse padre, mas eu só aparecia na igreja arrastado pelas mãos, em outras palavras, desde cedo, minhas antipatias para com "as igrejas" eram notórias.
Antes dos quinze tive o primeiro contato com o partidão, ops, antes disto, ainda nos tempos em que minha mãe me queria padre, um seminarista, um auxiliar do padre João, da paróquia santo Antônio da vila Brasilândia, um daqueles padres que rezavam a missa em latim. Ele usava batina inclusive nas ruas. Bem, o seminarista "Sérgio" foi o primeiro a falar da distância do Cristo da bíblia, para o Cristo cultuado pelos religiosos, principalmente aqueles que foram para ruas clamar pelo golpe de sessenta e quatro.
Nos aproximamos dos padres dominicanos justamente quando tivemos nosso contato com o PC, (não do personal computer, "mas sim do partido comunista"). Já no final dos anos setenta, no papado de João XXIII e Paulo VI, a teologia da libertação teria diversos padres e bispos para citar, um destes, o bispo auxiliar primeiro da região Leste, depois da Brasilândia, D. Angélico Sândalo Bernardino, que trouxe para a região uma série de padres com o mesmo olhar do seminarista Sérgio e muito distante das posturas do padre João.
Estivemos na posse do bispo diocesano do Sul catarinense D. Angélico Sândalo Bernardino, ah, antes que questione, meses atrás, partilhei para ele, que tinha roubado um litro de vinho da adega da diocese, fui repreendido, por não ter socializado com ele. Kkkkk
Anos depois, já de volta à nossa Sampa, este nosso amigo, nos proporcionou uma das cenas mais emblemáticas para eu, na despedida da irmã Brigida, uma das muitas freiras aliadas das nossas lutas por uma sociedade justa, nesta despedida, o bispo "teria cometido aquilo que seria visto como uma heresia" deu seu ornamento que só e disponibilizado para bispos, para nossa amiga a irmã Brigida.
Ontem, este religioso, que tal qual o Cristo, sempre teve lado, o lado dos excluídos, deixou este mundo.
Perdemos muito mais que um amigo, perdemos um combatente.
Deveríamos lembrar, que as posturas cristãs da igreja católica, nunca foram uma unanimidade, mas nossa amizade com d. Angélico Sândalo Bernardino, mesmo sabendo da finitude da vida, está triste.
Nossos sentimentos a todos que igual a mim, tiveram o imensurável privilégio desta amizade
À Don Angélico Sândalo Bernardino
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