quarta-feira, 18 de novembro de 2020

MARCHA DA CONSCIÊNCIA NEGRA. PARTICIPE!

 

MANIFESTO DA XVII MARCHA DA CONSCIÊNCIA NEGRA DE SÃO PAULO
A pandemia de COVID-19 desnudou o que os movimentos sociais, em especial o movimento negro, vem denunciando há décadas: a desigualdade social, racismo e machismo matam todos os dias em nosso país. É por isto que voltamos em mais esse 20 de novembro para as ruas por que durante todo esse ano nós não tivemos direito a quarentena e continuamos a avolumar os números de morte por COVID-19 e de morte violenta em nossas cidades segundos dados recentes. Bolsonaro, Dória e Covas apenas seguem seu projeto genocida de sociedade e nós resistimos!
Mesmo com tantas adversidades, tivemos conquistas importantes na cidade de São Paulo. O “Memorial dos Aflitos” no bairro da Liberdade é símbolo destas conquistas e da defesa por décadas que o conjunto do movimento negro tem feito sobre o resgate e divulgação da nossa história, memória e símbolos.
VIDAS NEGRAS IMPORTAM
2020 presenciamos grandes atos antirracistas no mundo inteiro. Os atos deflagrados nos Estados Unidos a partir dos assassinatos de George Floyd e Breonna Taylor demonstraram a crueza da violência racial e policial em diversos países, no Brasil a nossa juventude foi as ruas em meio a pandemia pra denunciar que o Estado continuava a adentrar nossas casas para executar a juventude negra. Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, houve aumento de vítimas de intervenções policiais e 8 de 10 destas vítimas são negros.
Em levantamento realizado pelo site G1 verificamos o que já sabíamos: o aumento dos casos de violência e feminicídio no período da pandemia. 75% das mulheres assassinadas no 1º semestre de 2020 no Brasil foram mulheres negras. Mesmo assim, os equipamentos públicos e programas de combate a violência contra mulher seguem sendo sucateados colocando as nossas vidas ainda mais em risco.
SALVAR VIDAS E GARANTIR DIREITOS
Os números, estudos e análises produzidos recentemente comprovam que no Brasil os principais afetados pela pandemia e suas consequências políticas e econômicas será a população negra, 54% da população brasileira. As mulheres negras chegam a receber 63% do salário de homens brancos e o retrocesso, a destruição e retirada de direitos, de ataques as liberdades e a democracia apenas nos jogam cada vez mais à margem da sociedade e não nos garantindo a possibilidade de ter uma vida digna, com direitos garantidos.
Nessa marcha vamos continuar lutando e protegendo nossas vidas e exigindo nossos direitos. Estamos na luta cotidiana na defesa do Sistema único de Saúde (SUS) de qualidade, público e gratuito, pois quem mais depende da saúde pública nesse país é a população negra. Não dá para ser antirracista e não defender o SUS. Também queremos a revogação do Sampaprev e defendemos a política de cotas raciais nos concursos públicos municipais, exigimos uma política de trabalho e emprego da população negra para poder tirar o povo negro da marginalização social, com direitos trabalhistas e sociais garantidos, além da defesa de criação de uma Renda Básica de Cidadania regular.
FORA BOLSONARO, DÓRIA E COVAS
Para nós do movimento negro é cada vez nítido que não é possível construir um Brasil que pense a maioria da nossa população enquanto Bolsonaro governar. O descaso diante da morte de mais de 150 mil pessoas, causada pelo Coronavírus e da implementação de um projeto ultraneoliberal e racista responsável pelo aumento do desemprego, da fome e da violência contra as nossas vidas demonstram isso cotidianamente.
Em São Paulo, a dobrada BolsoDória, além da defesa conjunta do Estado mínimo, tem reflexos com o aumento de assassinatos de jovens negros por parte do aparato policial nas periferias, a não existência de uma política estadual de auxílio emergencial durante a pandemia e um descaso cotidiano com a educação e saúde da nossa população. O PL 529 foi um brutal ataque promovido por Dória no estado de São Paulo contra os servidores públicos, mas contra a população negra. Com a aprovação desse projeto de lei se extinguiu a Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo "José Gomes da Silva" (Itesp), responsável por executar as políticas agrárias e fundiárias do estado. Mais de 1,4 mil famílias quilombolas eram atendidas pelo órgão. Também foram extintas a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano de São Paulo (CDHU) e a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo S. A. (EMTU/SP) que atendiam diretamente a política de moradia e transporte que atinge mais diretamente a nossa população negra e periférica.

VIDAS NEGRAS IMPORTAM! SALVAR VIDAS IMPORTAM!
FORA BOLSONARO, DÓRIA E COVAS!
Coordenação da XVII Marcha da Consciência Negra de São Paulo

Compareça! Compartilhe!

sábado, 14 de novembro de 2020

IMPRENSA BRASILEIRA NÃO DIVULGA A RESPOSTA DE BIDEN PARA A POLVORA DE BOLSONARO


Segundo o New York Times, ambos, Trump e Bolsonaro expulsaram 10.000 médicos e enfermeiras cubanos. Eles desfizeram o financiamento da principal agência de saúde da região. Eles erroneamente promoveram a hidroxicloroquina como uma cura.  Ambos ridicularizaram as orientações de saúde pública, como o uso de máscaras, e traficaram declarações falsas sobre a pandemia. 

Como Donald Trump, com quem tem uma espécie de admiração mútua, a família de Bolsonaro está sendo investigada criminalmente e ele ridicularizou o uso de máscaras para evitar a propagação do vírus, o New York Times noticiou. A certa altura ele disse a assessores que as máscaras são “para fadas”, segundo o jornal Folha de São Paulo. Mas também como Trump, Bolsonaro acabou testando positivo para COVID-19. Um dos mais leais aliados do presidente Trump no cenário mundial, Bolsonaro não parabenizou o presidente eleito Joe Biden por sua vitória nas eleições presidenciais dos EUA.

O governo de extrema direita do presidente Jair Bolsonaro tem sido amplamente criticado como lida com a crise pandêmica, por seu histórico ambiental e pelo manejo de incêndios destrutivos na floresta tropical. 

Agora ambos rejeitam Biden como presidente eleito dos EUA.  O novo governo alertou Bolsonaro sobre a retaliação comercial se ele não parar de destruir o Pantanal e a Amazônia.

Em 11 de novembro de 2020, segundo a BBC News Services,  o líder da extrema direita disse a repórteres em uma entrevista coletiva, usando a palavra portuguesa “maricas”, uma gíria ofensiva para gays: O Brasil deve deixar de ser “um país de maricas”, enquanto o número de mortos por coronavírus no país ultrapassou 162.000 - o segundo maior do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos - “Todos nós vamos morrer um dia”. Ele aproveito para mandar um recado para Bidem. Bolsonaro alertou Joe Biden como presidente eleito que defenderá o desmatamento na Amazônia com "pólvora" se Washington impor sanções econômicas ao país. 


A ameaça de guerra contra os EUA foi desencadeada por que durante o primeiro debate presidencial de 2020, Biden disse que reuniria os países para levantar US $ 20 bilhões para doar ao Brasil para proteger a Amazônia. Ele também destacou que haveria consequências graves se o Brasil não parasse com suas políticas de desmatamento.

Respondendo a Bolsonaro, Biden apontou para o ambicioso plano climático de Biden, seus planos de administração para "Nomear e envergonhar os foras da lei do clima global". Biden indicou que o primeiro país a ser rotulado de “fora da lei” será o Brasil.   “Os EUA têm que se reunir com a UE, China e outros que são os principais compradores de produtos do Brasil - seja soja, carne, madeira - e estabelecer a lei e dizer, 'Se você não restaurar e expandir seus esforços para policiar o desmatamento da Amazônia, vamos cortar suas cadeias de abastecimento '”, apontou Kate Bedingfield, o futuro de Biden, diretor de comunicações da Casa Branca ou secretária de imprensa.

Aparentemente Biden, como grande parte da população brasileira, não teme o poder de guerra do Brasil. A ameaça de guerra contra os EUA proposta pelo presidente brasileiro com resposta ao plano climático de Biden para proteger a amazônia tornou-se uma piada nas redes socias.


CHAPA DO COLETIVO JUNTAS - MULHERES SEM TETO NO SUPER BATEPAPO

 

Juntas elas são mais fortes contra o capitalismo e suas deformações sociais
 A caminhada do coletivo Juntas vem de longe carregada com muita emoção e esperança até se lançar ao desafio de coletivamente disputar uma vaga na Câmara Municipal de São Paulo.
Essa é mais uma das lutas nas vidas destas guerreras. Elas querem ocupar para transformar. Ocupar para romper as cercas que impedem o povo de participar. Ocupar para emancipar e fazer florescer uma nova primavera.

Manifesto do Juntas


Mulheres sem teto

São Paulo é um retrato de profundas desigualdades que se agravam a cada dia. A tragédia da pandemia da COVID-19 deve servir de alerta para muitas coisas: a urgência do colapso ambiental, o descompromisso do capitalismo neoliberal com a situação do povo e, principalmente, quem são as verdadeiras trabalhadoras que sustentam a sociedade.

A crise sanitária escancarou que são as mulheres, mães, negras e periféricas, as principais responsáveis, dentro e fora de casa, pelos trabalhos mais importantes para a garantia da vida de todos e todas.

Foram as enfermeiras e técnicas de enfermagem que estiveram na linha de frente na combate à pandemia.

Foram as terceirizadas dos serviços de limpeza que mantiveram as condições sanitárias dos ambientes de atividades que não foram paralisadas.

Foram as empregadas domésticas e cuidadoras que garantiram a vida de pessoas dependentes de cuidados.

Foram as trabalhadoras de telemarketing que garantiram o atendimento e as vendas de internet.
Foram as mães, avós, irmãs, vizinhas e donas de casa, que mantiveram suas famílias e comunidades alimentadas, vestidas e acolhidas.

Ainda assim, essas mulheres vivem e trabalham nas condições mais precária e recebem os menores salários .

O abandono da gestão municipal quanto às demandas do povo, o déficit de tmoradia, de creches, os desinvestimentos em saúde e educação, o descaso com a mobilidade urbana e com a construção de sua cidade sustentável, são todos sintomas de uma cidade desigual que adoece seus e suas moradoras.

Se o corte de políticas sociais piora a cada dia as condições de vida da população mais pobre, as políticas machistas e racistas também cumprem sua função. A cultura de violência contra as mulheres, o genocídio da juventude negra pela polícia e o racismo institucional tiram vidas e a força dessa grande maioria, oprimindo e explorando cada vez mais o povo.

Para transformar essa realidade, é urgente superar a exclusão das mulheres, negros e negras, e movimentos sociais dos espaços de representação política.
Hoje, as mulheres compõem 53% da população das cidade e negros e negras representam 37,1%, com maior concentração nos bairros periféricos. Ainda assim, das 55 vagas na Câmara dos Vereadores da cidade de São Paulo, apenas uma é ocupada por uma mulher indígena, e nenhuma mulher negra compõe a casa legislativa da maior cidade do Brasil.

É nesse contexto que as JUNTAS – Mulheres Sem-Teto assumem a responsabilidade de disputar uma vaga na Câmara dos Vereadores da cidade de São Paulo. Militantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto(MTST), são mulheres trabalhadoras, negras, periféricas, mães de família, profundamente conectadas com as necessidades da população.

A capital da segregação territorial, das desigualdades sociais, econômicas, raciais e de gênero precisa ter na “Casa do Povo” uma cadeira ocupada pelo maior movimento social urbano da cidade. Eleger as Juntas Mulheres Sem Teto é mais do que tirar a cadeira de um especulador imobiliário, é trazer para o centro do debate e da formulação política a experiência de quem foi formada na luta coletiva pela moradia. Suas vidas carregam as vidas de milhares.

Juntas Mulheres Sem Teto é uma alternativa coletiva e popular de ocupação da câmara municipal de São Paulo, com Guilherme Boulos, também filho da luta coletiva do MTST, e Luiza Erundina, a melhor prefeita da história de São Paulo, seremos a capital da resistência ao bolsonarismo e sua política de morte!

Quando ocupamos semeamos esperança.
E São Paulo, mais do que nunca, precisa esperançar!

 

Vamos Juntas Ocupar a Politica!

 Apoie o MTST



sexta-feira, 13 de novembro de 2020

MADRE TEREZA DE CALCUTÁ ERA ATÉIA



A primeira pedra sobre a qual assenta a santidade de Madre Teresa é "a resposta a um chamado divino", é "a obediência a uma inspiração divina, examinada e reconhecida como tal". Assim foi o padre Raniero Cantalamessa, pregador da Casa Pontifícia, em dezembro de 2003, logo após a beatificação de Madre Teresa de Calcutá, ocorrida em 19 de outubro do mesmo ano. O Capuchinho proferiu os habituais sermões do Advento na Capela Redemptoris Mater do Palácio Apostólico, na presença do Papa João Paulo II e da Cúria Romana, na véspera de 5 de setembro, dia em que a Igreja se lembra do santo Padre Cantalamessa reúne essas meditações em um livro, "Madre Teresa - Uma santa para ateus e casados".

Nasceu Anjezë Gonxhe Bojaxhiu, em 26 de agosto de 1910 em Skopje (agora capital da Macedônia do Norte), então parte do Kosovo Vilayet do Império Otomano. Após morar em Skopje por dezoito anos, ela se mudou para a Irlanda e depois para a Índia. Ela fundou as Missionárias da Caridade, uma congregação que tinha mais de 4.500 freiras e estava ativa em mais de 133 países. A congregação administra casas para pessoas que estão morrendo de HIV / AIDS, hanseníase e tuberculose. Também administra refeitórios populares, dispensários, clínicas móveis, programas de aconselhamento infantil e familiar, bem como orfanatos e escolas. Seus missionários fazem votos de dar "serviço gratuito de todo o coração aos mais pobres dos pobres." Por isso, obviamente, ela foi homenageada na Igreja Católica como Santa Teresa de Calcutá.

Ao receber o prêmio Nobel, pediu ao seu confessor que orasse por ela, porque ela mesma não sentia nada quando orava e não tinha mais nenhuma experiência de Deus. Em uma carta, escrita a Jesus a pedido de seu confessor, ela soa como um Dawkins adolescente:

Eu chamo, eu me agarro, eu quero ... e não há o Alguém para responder ... ninguém em quem eu possa me agarrar ... não, ninguém. Sozinha... Onde está minha Fé... Mesmo lá no fundo não há nada, mas vazio e escuridão ... Meu Deus ... quão dolorosa é essa dor desconhecida ... Eu não tenho Fé ... Eu ouso não pronunciar as palavras e pensamentos que se aglomeram em meu coração ... e me fazem sofrer uma agonia indescritível.

Tantas perguntas sem resposta vivem dentro de mim com medo de descobri-las ... por causa da blasfêmia ... Se Deus existir ... por favor, me perdoe ... Quando tento elevar meus pensamentos ao céu há um vazio tão convincente que aqueles muitos pensamentos retornam como facas afiadas e ferem minha própria alma. Disseram-me que Deus me ama ... e, no entanto, a realidade das trevas e frieza e vazio é tão grande que nada toca minha alma.

Antes de começar seu trabalho em Calcutá, ela era íntima de Jesus e não se importava de contar todos os detalhes a seus confessores e superiores. Jesus, em que ela acreditava naquela época, havia dito a ela - ela tinha ouvido sua voz - para ir trabalhar entre os pobres. O diálogo parece ter saído de uma novela mexicana: Jesus diz à freira, aí na casa dos 30 anos: “Você é, eu sei, a pessoa mais incapaz, fraca e pecadora, mas só porque você é isso, quero te usar para a minha glória. Queres recusar meu amor? " Ela responde como a heroína deveria: "Eu quero amar Jesus, mas amá-lo como ele nunca foi amado antes."

O seu confessor, observando estes esforços, observou que «[a] união com Nosso Senhor foi contínua e tão profunda e violenta que a ruptura não parece muito distante». Ela pôde finalmente anunciar a ele que "Jesus se entregou totalmente a mim".

E depois disse, durante quase todos os 50 anos seguintes, Jesus nunca mais escreveu; Ele nunca ligou. Todas as amigas dela falaram com Ele, ou disseram que sim. Mas ele nunca esteve lá para ela. Ela simplesmente continuou trabalhando, ficando cada vez mais famosa e poderosa - e rica, se ela quisesse - enquanto Jesus ignorava todos os seus apelos. A única vez que seu desespero e abandono sumiram foi cinco semanas depois da morte do Papa Pio XII. Ela orou por um sinal de que Deus estava satisfeito com seu trabalho.
Contada por si mesma, a história seria interessante: uma camponesa de extraordinária tenacidade e dinamismo se muda para o outro lado mundo, usando a religião para tirá-la da obscuridade e dar-lhe uma vida plena e importante, embora a fé e seus consolos são arrancados dela quando finalmente ela obtém a autonomia que ela realmente queria.

Só os ateus mais endurecidos não ficarão chocados com a facilidade com que a Igreja Católica assimilou a notícia de que sua mais famosa santa se considerava uma hipócrita quando falava do amor de Deus.

Mas se você for um ateu suficientemente endurecido, a história ainda terá outra reviravolta. Afinal, suponha que a religião seja uma mentira puramente feita pelo homem: Agnes Bojaxhiu, a santa de Calcutá, poderia ter feito um negócio melhor com qualquer coisa feita pelo homem do que com a Igreja Católica?

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

HIP-HOP DOMINA

 

O hip-hop tem sido indiscutivelmente a forma de música popular mais influente da geração passada 

Muito mais do que rock and roll e música country juntas.

Artistas como Jay Z, Nas, Eminem e Missy Elliott se tornaram nomes conhecidos, enquanto os talentos de produção de P Diddy, Dr Dre e Pharrell Williams estão em constante demanda. Nem esse impacto se limitou exclusivamente à música. O 'uniforme' de jeans de cintura baixa, botas Timberland, tênis caros e agasalhos de grife se tornaram austérité entre os jovens do Brooklyn a Brixton.

No entanto, esse aumento aparentemente inexorável gerou polêmica. O hip-hop há muito é associado a um materialismo excessivamente hedonista e machista que celebrava armas, gangues e 'popozudas' (este último é provavelmente o termo menos ofensivo usado para descrever as mulheres). Uma das consequências mais negativas disso foi o encarceramento de um grande número de artistas, muitas vezes por crimes violentos ou sexualmente agravados, como destacado na edição atual da revista de hip-hop Source. Talvez os dias mais sombrios do rap tenham ocorrido em 1996-97 com o assassinato de duas de suas estrelas mais brilhantes, Tupac Shakur e Christopher Smalls, também conhecido como Notorious B.I.G.

No início dos anos 2000, foi argumentado, entre outros colunista do Voice, Tony Sewell, que a influência maligna do canal de hip-hop MTV Base é um fator chave para o baixo desempenho dos meninos negros nas escolas. A sugestão é que esses jovens estavam sendo encorajados a adotar um estilo de vida 'fabuloso do gueto' negativo, em vez de um estilo de vida que valorize a educação e a responsabilidade doméstica e cívica. Na esteira de tais afirmações, os comentaristas clamaram para lançar os últimos ritos do hip-hop. Até mesmo o jornal político normalmente seco, enfadonho e mal lido, Prospect, entrou em cena com uma reportagem sobre o fim do hip-hop.

Os políticos também têm sido rápidos em atacar estrelas do rap ao tentar desviar a culpa pelos males da sociedade. Em 1992, a campanha do candidato à presidência dos Estados Unidos Bill Clinton incluía uma denúncia fortemente abusiva contra a irmã Souljah que visava claramente atrair os eleitores racistas. Da mesma forma, após um trágico tiroteio na véspera de Ano Novo em uma festa de Birmingham, o ministro da cultura do Novo Trabalhismo, Kim Howells, lançou um discurso contra os "rappers machos idiotas".

A verdade, claro, é bem diferente. O hip-hop surgiu pela primeira vez no início dos anos 1970 a partir das grandes festas de bloco organizadas por DJs do Bronx, como Kool Herc e Afrika Bambaata. Os foliões foram encorajados a improvisar letras nos intervalos instrumentais das músicas clássicas que os DJs tocavam em seus enormes sistemas de som. A música rap foi, portanto, uma fuga divertida e uma resposta criativa à pobreza, à violência policial e à alienação que arruinou a vida de jovens negros nos guetos do centro da cidade.

Inevitavelmente, com o tempo, as grandes gravadoras se agarraram às suas possibilidades comerciais. Inicialmente, de maneira consagrada pelo tempo, eles procuraram promover formas "brancas" de música. A banda de punk rock Blondie teve um hit com uma canção chamada Rapture que incluía um rap terrível de Debbie Harry, mas que pelo menos teve o mérito de nomear alguns dos lendários rappers negros com quem a banda se misturou na cena underground de Nova York. Em outros lugares, essas gravadoras fabricaram suas próprias bandas e escreveram letras leves para elas. Eventualmente, no entanto, grupos como Run DMC forçaram seu caminho nas paradas - embora precisassem de um pouco de ajuda dos roqueiros brancos do Aerosmith.


O hip-hop e seu primo próximo R&B representaram 25 por cento de todas as vendas recordes nos EUA em 2010 e em 2017, o tamanho do mercado global de rap era de $ 15,7 bilhões em 2016. A receita anual e os números de crescimento estimados até 2021 são US $ 4,08 bilhões.

Historicamente, as empresas que mantêm esses artistas não têm grande desejo de mudar uma fórmula vencedora. Além disso, muitas outras empresas se apressaram em explorar o potencial de vínculos lucrativos e incentivaram os artistas a divulgar seus produtos em suas músicas e vídeos. Enquanto isso, os compradores de discos e downloaders são encorajados a acreditar que com um pequeno jogo de palavras líricas eles também podem viver o sonho, ou pelo menos imitar o estilo de vida usando o equipamento certo. Deve-se notar que sempre houve artistas que buscaram se opor a essa corrente. Public Enemy, KRS One e Michael Franti, The Roots, Mos Def e Talib Kweli estão entre os artistas que alcançaram certo grau de sucesso ao transmitir uma mensagem mais socialmente consciente. No entanto, essas vozes geralmente foram abafadas por aqueles que vocalizam o fetichismo da mercadoria.

A curta vida de Tupac Amaru Shakur é particularmente reveladora. Sua mãe solteira já havia sido membro do Partido dos Panteras Negras e ele recebeu o nome de um grupo de revolucionários peruanos. Tupac foi um jovem poeta brilhante cujas primeiras letras eram contra o racismo e a injustiça da sociedade americana. Essa abordagem o levou a praticamente lugar nenhum. Enquanto estava na prisão, ele foi oferecido um caminho alternativo para a fama e fortuna. Ele escolheu adotar aquela "vida de bandido" arquetípica, mas foi para se provar uma vida autodestrutiva que o levou a sua própria morte violenta. No entanto, mesmo aqui, não foi simplesmente um caso direto de venda.


Ele claramente permaneceu como um indivíduo profundamente perturbado e torturado. Thug Life, ele uma vez explicou, era uma sigla que significava "The Hate U Gave Lil Infants Fuck Everybody". Em outras palavras, também foi uma resposta à alienação aparentemente impossível da juventude negra em uma sociedade capitalista racista. É precisamente esse sentimento amargo que ele expressa em canções como Trading War Stories e Hellrazor. Com certeza Tupac era um indivíduo gravemente falho, mas o hip-hop perdeu algo que nunca foi capaz de recuperar quando foi morto a tiros em setembro de 1996.

No entanto, os relatos da morte da música rap são extremamente exagerados. É evidente que continua extremamente popular e, no seu melhor, pode ser maravilhosamente inventivo e excitante, nervoso e enraivecido.

A história do hip-hop ainda não está completa, mas precisa desesperadamente de novas ideias e ímpeto.


O COLETIVO + DIREITO À CIDADE NO SUPER BATEPAPO

 

Recebemos no Superbatepapo os companheiros do "Coletivo+Direito à Cidadade", que discutiram os problemas da Cidade de São Paulo. 
A conversa girou em torno de temas ligados á luta por moradia, saúde e educação, além do acesso a serviços fundamentais, tais como saneamento básico e acesso ao lazer e à cultura. é uma candidatura coletiva do partido dos Trabalhadores.

O Coletivo + Direito à Cidade nasceu da necessidade de inovar os legislativos e a cultura política brasileira, construir  relações mais horizontais, dar voz a mais vozes, além de  combinar  experiência, diversidade e renovação em um único mandato.

Com o objetivo de lançar uma pré-candidatura à Câmara Municipal de São Paulo, reunimos ativistas, gestores públicos, especialistas e lideranças comunitárias em um coletivo que se compromete a defender políticas públicas que fortaleçam a democracia e os direitos humanos. ⁠

Nosso coletivo é plural e diverso, como a cidade de São Paulo. Reúne sete homens e mulheres com diversidade etária, de gênero, de raça, de orientação sexual e de regiões da cidade. Nosso compromisso é realizar um trabalho inovador, em defesa de uma cidade de justa, sustentável, saudável e educadora. 


Defendemos o Direito à Cidade, ou seja, o direito à educação, à habitação, à cultura, à mobilidade, à saúde, ao meio ambiente saudável, ao trabalho e às oportunidades. Defendemos os direitos humanos, das mulheres, das crianças e adolescentes, dos idosos, dos LGBTQI+, da pessoa com deficiência. Combatemos a desigualdade e a segregação, o racismo, o machismo, a homofobia, o sexismo e a intolerância.

O Coletivo + Direito à Cidade estará representado nas urnas pelo arquiteto e urbanista Nabil Bonduki Direito à Cidade 13777, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, ex-vereador e ex-secretário de Cultura da cidade, na gestão do prefeito Fernando Haddad.



Vamos transformar São Paulo

Conheça as propostas do Coletivo +Direito à Cidade

Nabil Bounduki
A candidatura Nabil e Coletivo +Direito à Cidade definiu diretrizes gerais de propostas para a Câmara Municipal de São Paulo, sendo elas:

★ Uma cidade aberta, tolerante, saudável, sustentável, educadora, inclusiva, cultural e acolhedora;

ativista antirracista, contra a homofobia e pela cultura na periferia
Gil Marçal
★ A renda básica, a economia solidária, as pequenas empresas e uma reforna tributária que reduza as desigualdades;

★ O Plano Diretor e sua revisão participativa, com Justiça social e ambiental;

★ Habitação digna, a autogestão, a assistência técnica, a urbanização e regularização das favelas, edifícios ociosos para moradia;
Anabela Gonçalves

★ O transporte coletivo, os pedestres, os ciclistas, as ruas abertas e a acessibilidade para as pessoas com deficiência;

★ A agricultura urbana e periurbana, familiar e orgânica e a alimentação saudável;
Beto Custódio

★ Mais áreas verdes; coleta seletiva, reciclagem e compostagem; segurança hídrica; combustíveis limpos na mobilidade;
Evaniza Rodrigues

★ A educação pública e inclusiva, as escolas abertas para a comunidade e o Estatuto do Magistério;

★ O SUS, a atenção básica, a saúde da família e da mulher;
Iracema Araújo

★ A cidadania cultural, o fomento às artes e à periferia, as bibliotecas, o patrimônio cultural e as ocupações culturais;

★ Políticas para a população em situação de rua;

Rayssa Cortez
★ A diversidade, as políticas afirmativas, as cotas raciais, a equidade de gênero, as políticas para as mulheres, idosos e LGBTQI+;

★ Uma gestão participativa, descentralizada e transparente. Uma frente democrática e progressista em defesa dos direitos.

#NabilBondukiMaisDireitoàCidade13777

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Mariana Moura no Super Batepapo

 


Mariana Moura
Candidata a vereadora na cidade de São Paulo pelo PC do B 
Mariana é é doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Energia do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE/USP). Ela faz parte do movimento Cientistas Engajados. Na Live discutimos o papel fundamental desempenhado pela ciência no desenvolvimento da sociedade e a contribuição que uma candidatura em defesa ciência engajada poderia dar ao legislativo municipal.

 Cientistas Engajados 

O grupo Cientistas Engajados foi formado em 2018 por pesquisadores que têm como sonho comum a composição de uma bancada do conhecimento nas instâncias formais da política brasileira. O grupo nasceu no âmbito da Universidade de São Paulo e tem crescido em adesão nos diferentes institutos e demais universidades brasileiras. A finalidade do trabalho do grupo é aumentar a representatividade da ciência no cenário político do país, ampliando a visibilidade da área, fundamental para o Brasil e o mundo, e ampliando o diálogo da academia com a sociedade.



 MANIFESTO DE MARIANA MOURA
CANDIDATA A VEREADORA POR SP
Uma cientista na Câmara


Estamos vivendo um momento muito delicado para o Brasil e para o Mundo. Ao mesmo tempo em que cientistas jovens e experientes de todas as áreas do conhecimento trabalham abnegadamente dia e noite para achar soluções para que atravessemos essa crise, o governo federal ignora dados científicos e anuncia cortes nas bolsas de pesquisa. Seus seguidores atacam jornalistas científicos e sites de divulgadores de Ciência, enquanto espalham falsas promessas de cura aproveitando-se do desespero do nosso povo.

Precisamos fazer uma discussão séria sobre o que queremos enquanto sociedade neste momento.

O Brasil precisa de um Estado e, portanto, de governos que estejam a serviço de toda a população. Vamos falar a verdade: um Estado mínimo não estará a serviço da população, e sim da redução de investimento público. Isso representa a diminuição do número de funcionários que nos atendem nos hospitais e nas escolas públicas, e a reserva de metade do orçamento da União para o pagamento e rolagem da dívida pública, enquanto as pessoas pobres passam fome, não têm acesso à saúde, à educação, à ciência e ao emprego com salário digno.

No início do século passado, na Grande Depressão, milhões de pessoas foram jogadas na miséria por conta da crise econômica gerada pelo colapso do modelo de especulação financeira norte-americano em 1929. Para tirar o Brasil e o mundo daquela crise, foi necessário o apoio do Estado. No momento atual, maior depressão econômica global desde aquele período, muitos países estão fazendo o mesmo e assegurando a sustentação social. O Brasil, infelizmente, dessa vez, não está.

Por isso, muito se tem discutido sobre em qual mundo iremos viver depois dessa crise.

Pois bem, vamos precisar que o Estado contrate médicos e professores, invista em pesquisa e na produção de vacinas, que serão feitas nas instituições públicas de pesquisa, e garanta o mínimo de direitos para trabalhadores informais, além de manter o emprego e a renda. Vamos precisar apoiar as pequenas e médias empresas e não permitir que concessionárias de serviços públicos cortem a luz e a água daqueles que não puderem pagar por um período. Vamos precisar do Estado para que o país possa atravessar a fase mais difícil de sua história recente e depois para impulsionar a economia quando tudo melhorar. Isso porque vai melhorar.

Para isso, vamos precisar de mais ciência e tecnologia para construirmos um país mais justo e soberano.

Neste ano, temos eleições municipais e eu sou pré-candidata a vereadora da cidade de São Paulo, lugar contraditório com intensas desigualdades e uma capacidade de renovação ímpar. Quero ajudar nessa renovação trazendo o ponto de vista da Ciência para a política paulistana.

Temos hoje na capital paulista o maior número de pessoas confirmadas com Covid-19 do Brasil. Temos também universidades e institutos de pesquisa trabalhando dia e noite para produzir soluções. Testes eficientes, medicamentos para o tratamento da doença, equipamentos de proteção, respiradores mais baratos e estatísticas sobre a dinâmica de espalhamento do vírus, tudo isso foi gerado em poucos meses por centros de pesquisa brasileiros, em especial os paulistas, muitos deles localizados na capital.

Essa verdadeira “força-tarefa” que se organizou quase instantaneamente está agora sendo impulsionada pelos recursos públicos da FAPESP, mas é preciso mais. A cidade de São Paulo tem o maior orçamento do país e é a que mais tem se beneficiado da presença de tantas instituições de pesquisa em seu território, especialmente agora. Por isso, vamos trabalhar pelo aprofundamento da relação entre a Prefeitura de São Paulo e as instituições de pesquisa que estão localizadas no nosso território.

Já temos algumas propostas para a próxima gestão e convido todos a conhecê-las nas páginas da nossa pré-candidatura e contribuir conosco para construirmos este projeto com base nas contribuições científicas.

Esta é uma luta não só dos Cientistas Engajados, mas de todos nós para deter a barbárie em nosso país e e construir uma sociedade mais justa.

Hoje a luta é pela vida e pela Democracia!
Vamos vencer esta batalha juntos!
E conto com vocês nesta empreitada!


Um forte abraço,
Mariana Moura

SBP em pauta

DESTAQUE

GUERRA CONTRA AS DROGAS: A velha ladainha americana para intervir na América Latina

Desde o seu início, na década de 1970, a guerra às drogas promovida por Washington na América Latina tem sido alvo de controvérsia e debate....

Vale a pena aproveitar esse Super Batepapo

Super Bate Papo ao Vivo

Streams Anteriores

SEMPRE NA RODA DO SBP

Arquivo do blog