segunda-feira, 8 de junho de 2026

TOMO MMCCXXXIV Relatos Capixabas de uma Feijoada no Dia de Corpus Christi


Era para ser um reencontro de amigos, há muito ensaiado. Dezesseis horas de viagem até o Espírito Santo — e, como todo bom ritual de estrada, não faltaram os atrasos do ônibus e a falta de informação.

Curiosamente, o tempo de percurso acabou sendo menor que o previsto. A chuva torrencial, que parecia um incômodo, acabou se tornando uma espécie de bênção: o ônibus chegou antes da hora e, sem conseguir parar no ponto combinado, ficamos abrigados por mais de meia hora, protegidos das intempéries.

Resgate feito, veio o abraço dos amigos e o tempo necessário para atualizar as fofocas. A família estava completa: filhas, genros e netos. Quando saíram de São Paulo, havia apenas um neto; agora são três. O único ausente era justamente o que eu já conhecia, em Sampa para disputar um torneio de xadrez. Não espalhem, mas ele anda com vergonha de provocar inveja no avô.

Depois das conversas, fomos recebidos com uma feijoada deliciosa, servida numa quinta-feira de Corpus Christi. Na sexta, passeio de barco por Vitória — chuvosa, é verdade, mas ainda assim encantadora.

O sábado trouxe churrasco e a visita inesperada de uma família de saguis. Entre risadas e reencontros, reencontrei também um tabuleiro de xadrez, depois de quase duas décadas. Resultado: levei uma boa sova do pai de um mestre internacional, aquele mesmo que anda deixando o avô Eurípides cheio de ciúmes.

Ainda no sábado, subimos ao Convento no Morro do Morcego. A subida foi exaustiva, mas recompensada por paisagens dignas de fotografia e, sobretudo, pelo sorriso da pequena Lívia, bebê de colo. Um sorriso de criança é pagamento que alegra qualquer coração — especialmente o de um velho cronista.

Devo agradecer, e muito, ao casal de amigos Isabel e Eurípides, às filhas Fernanda e Simone, aos genros Fernando e Ademilson, e aos netos Babi e João. O mestre internacional de xadrez não estava, mas sua ausência foi sentida com carinho.

Hoje, ao anoitecer, será hora de voltar para Sampa.
Foi um final de semana simples, chuvoso, mas cheio de calor humano — daqueles que ficam guardados na memória como uma boa crônica diária.

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