quinta-feira, 25 de junho de 2026

TOMO MMCCLII ENTRE AS AVÓS E OS NETOS MIMIDOS


Eu completaria vinte e seis anos e dois meses. Durante, no mínimo, dezoito deles, ouvi minha mãe implorar para poder visitar a própria mãe.

Segundo as histórias familiares, nossa vinda para a “terra do futuro” foi quase de supetão. Venderam tudo — a preço de banana — e partiram. Ainda conforme esses relatos, minha avó materna, cujo nome infelizmente não recordo, ficou para trás. As falas de minha mãe, repetidas ao longo dos anos, sobre o desejo de ver sua mãe antes que esta falecesse, marcaram minha infância e adolescência. Tornou-se, para mim, uma espécie de missão.

Há quem diga que a ditadura era eficiente. Mas bastava ver o tempo que uma simples carta levava para chegar: três meses. Pois é.

No mesmo dia em que deixamos São Paulo rumo à rodoviária Júlio Prestes, uma carta chegou em casa. Nela, a notícia da morte da mãe da minha mãe.

Dona Maria Aurora, minha mãe, teve os olhos banhados de lágrimas ao ouvir a voz do irmão caçula gritar “Pequena!”. Não teve tempo de enxugar o rosto antes de saber, pela carta que chegara horas depois, que sua mãe havia partido.

Adão Alves dos Santos

P.S.: Enquanto o goleiro de Cabo Verde, país que fala português, joga com o nome “Vozinha” às costas, o Brasil se rende a netinhos mimados. Não escrevo esta crônica para me redimir, mas em homenagem ao goleiro caboverdeano.


NÃO CONHECI


Simplesmente, não conheci,

Até, esteve marcado, mas,

No ano em que consegui planejar?


O ano era 1978,

Segunda férias planejadas da vida,

Mês, julho, ônibus, p'ra Jacobina BA.


Ah, antes de continuar, e até de recordar,

Duas constatações da época, 

A primeira, local, a Vila Terezinha, 

Além, de não ter transporte, 

Nem saneamento, não tinha asfalto, 

Nem mesmo um "ORELHÃO",

Putz, esta crônica chega além-mar, 

Então, "telefone público".


Além das questões local, 

A eficiência Brasil, dos tempos da ditadura, 

Uma carta demorava três meses. 


Esta realidade só mudou, 

Quando os milicos, largaram o osso. 


De volta, à viajem, meticulosamente planejada,

Quarta 8/8/78, hora do almoço, 

Deveria, mas, a ansiedade da d. Maria, 

Saímos antes disto.


Sabe aqueles três meses de uma carta,

Então, quarenta e quatro horas depois, 

Jacobina BA, e a descoberta, 

O vilarejo das Umburanas, ficava mesmo, 

No município de Campo Formoso,

Transporte para as Umburanas,

Só no final da tarde, daquela sexta.


Quando o crepúsculo e a porta aberta,

Desperta o som rouco 

"Pequena" onde havia mais lágrimas que voz.


Anesino Sandice



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