Espirros de Independência
A história do Brasil é feita de espirros de independência — pequenos surtos de autonomia que logo se dissipam diante da velha fidelidade à coroa, seja ela portuguesa, americana ou simbólica. Desde os tempos coloniais, essa lealdade teve episódios curiosos. Quando os holandeses tentaram fincar bandeira por aqui, a “brigada de Maurício de Nassau” contou com aliados improváveis: Pedro Poti e os Tapuias. Já na expulsão dos invasores, outro cacique potiguar, Felipe Camarão, lutou ao lado dos portugueses. O detalhe é revelador — nem as tribos indígenas tinham unidade, e talvez por isso a ocupação holandesa, que durou vinte e quatro anos, não tenha mudado o rumo da nossa história.
Durante o ginásio, aprendíamos sobre o modelo agrícola português — o plantation, com suas grandes áreas e monoculturas. Às vezes, imaginávamos: e se os holandeses tivessem ficado? Teríamos uma agricultura diferente? Provavelmente não. Afinal, na África e no Caribe, eles repetiram o mesmo padrão. Mas há um ponto que merece atenção: os “cristãos novos” da turma de Nassau, descendentes de comerciantes e aventureiros, hoje são os capitães das indústrias bélicas, vendendo armas para todos os lados — inclusive para revoltas e facções criminosas. O mundo gira, mas o lucro continua sendo o mesmo.
E é aí que o fio da história se emenda ao presente. O poderio bélico da terra do Tio Sam, para onde muitos holandeses migraram após a expulsão, tornou-se o farol dos nossos vassalos modernos. Os “bozos” — herdeiros do pensamento colonial — seguem buscando armas, bênçãos e inspiração no império americano. Em mais de cinco séculos, o Brasil ensaiou independências, mas quase sempre preferiu o papel de submisso. O discurso é patriótico, mas a prática é de servidão.
Nesse cenário, surge o bozo júnior, versão tropical do vassalo ianque, pronto para servir ao imperador maluco que precisa de um novo conflito para justificar sua existência. E, claro, encontra por aqui uma elite disposta a ajoelhar-se diante do medo do comunismo imaginário. É a velha história: o Brasil se curva, o império agradece, e a independência segue sendo apenas um espirro — breve, ruidoso e inofensivo.
TEM GENTE:
Tem gente, que se faz de burro,
Só para atrair a burrice,
Aí, as burrices de plantão,
Se alia a esta burrice artificial,
Para manter o mundo, atolado na burrice.
Só, que todos que se fingem de burro,
São espertos demais,
Vivem em mansões,
Tem funcionários à disposição,
Uns, possam de imperador,
Querem, "e até conseguem" reinar burrices,
Outros, (reles "imperador intermediário"),
Estes imperadores intermediários,
Vendem as soberanais de suas pátrias,
Só para ser, um imperador intermediário.
Anesino Sandice

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