A Camisa do SUS
Faço hoje, com muito atraso — é bom que se diga — uma justa homenagem ao pessoal do SUS. Demorei, confesso, porque ainda me custa imaginar que profissionais da saúde tenham votado no inominável. E, pior, que o inelegível tenha recebido votos também entre educadores. Quer piorar? Milhões de votos vieram de pessoas que se dizem cristãs.
Volto à educação. Parece que alguém faltou às aulas de interpretação de texto — inclusive quem as ministra. E volto ainda mais atrás, à questão antropológica: desde o Concílio de Niceia, fomos “educados” a pensar pela ótica do imperador. Mas não, não somos habitantes de palácios.
Lamentações à parte, a situação só não foi mais grave porque o pessoal do SUS, até mesmo os negacionistas, literalmente vestiram a camisa de uma predestinação antiga — a de Camilo de Lélis: servir ao outro por vocação, não por conveniência. Prestaram assistência à saúde movidos pela preocupação genuína com o próximo.
É preciso registrar — ainda que tardiamente e de forma insuficiente — essa homenagem aos trabalhadores do SUS. Eles não apenas cumpriram suas obrigações, mas acolheram pacientes despejados do sistema privado e enfrentaram patrulhas de negacionistas que invadiam UTIs com celulares em punho, buscando leitos “vagos” que nunca existiram.
O Brasil derrotou o negacionismo nas urnas, mas apenas no Executivo central e em poucas unidades federativas. No Congresso, o placar foi de 7x1 — ou talvez 7x0. Estamos a três meses de uma nova eleição. Que as pessoas de boa índole despertem para a farsa da “pauta moral” que embala o voto negacionista.
Não basta esperar. Esta homenagem ao pessoal do SUS é também um alerta: precisamos varrer para o lixo da história o burrismo que sustenta o negacionismo. Para que não precisemos chorar, novamente, a perda de profissionais da saúde que deram a vida lutando contra uma pandemia — e contra a ignorância.
PRECISAMOS DIARIAMENTE FAZER HOMENAGENS AO PESSOAL DO SUS, ATÉ MESMO AOS NEGACIONISTAS
AINDA DÓI:
Foram mais de setecentos,
Setecentos, só que mil mortes,
No mundo inteiro morreu gente,
Mas, proporcionalmente,
O meu Brasil foi. CAMPEÃO!
DÓI, DE UMA DOR,
MORTALMENTE DOÍDA,
Que também, é muito doida,
Porque a maior parte destas mortes,
Têm como causa, não a pandemia em si.
PARTE DESTAS MORTES, FOI POR NEGACIOMISMO mesmo.
O que mais neste morticidio,
Não chega ser mesmo a pandemia,
Mas, a burrice que elegeu um negacionista.
Anesino Sandice)

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