sexta-feira, 19 de junho de 2026

ORGANIZAR TOMO MMCCXLVII JEITINHO BRASILEIRO


O Jeitinho e a Colônia

Muito antes de conhecer a tese de mestrado de Lívia Barbosa, O Jeitinho Brasileiro, já concordávamos com ela — ainda que sem a menor pretensão intelectual de formular qualquer teoria. Era uma concordância instintiva, quase empírica, nascida da observação cotidiana.

Antes mesmo de pensar em estudar — e isso só aconteceu depois dos quarenta — já nos perguntávamos: será que nascemos para ser uma eterna colônia? A resposta veio tarde, e talvez enviesada, pela lente marxista. Não que o marxismo seja um problema; o problema é olhar o mundo por um único ângulo.

Para que o brasileiro convivesse pacificamente consigo mesmo, precisou criar uma bolha em torno da própria realidade. Daí a paixão quase religiosa pelos Estados Unidos. Essa relação, que muitos enxergam como “simbiótica”, é na verdade parasitária. Os ianques sugam nossas energias, e nós, satisfeitos, acreditamos estar participando de uma relação “ganha-ganha”. E é mesmo — eles ganham dinheiro, influência e poder; nós ganhamos a sensação de estar ao lado da maior potência do mundo.

Reconheço a distância entre minha visão militante e a análise antropológica de Lívia Barbosa. Enquanto ela estudava o “jeitinho” como fenômeno cultural, eu o via como questão conjuntural — algo que poderia ser superado por uma revolução nacionalista de cunho socialista. Hoje percebo que o “jeitinho” é mais profundo: é o mecanismo que sustenta nossa eterna dependência.

E é justamente essa dependência que alimenta os bozos, bozolóides e bolzominiuns. Os primeiros, o clã; os segundos, os satélites que orbitam o poder e lucram com ele; os terceiros, a massa de manobra que mantém o Brasil submerso como nação periférica. Essa estrutura é o retrato perfeito do “jeitinho” elevado à política — uma esperteza que serve sempre aos mesmos.

Em 1987, eu ainda não tinha concluído o ginásio. Talvez por isso minha leitura tenha sido superficial. Preciso reler Lívia Barbosa. Mas o brasileiro também precisa reler a si mesmo. Se quisermos deixar de ser colônia, é hora de aproveitar o momento — os bozos escolheram perder com o clã, e nós podemos escolher sepultar, junto com eles, o congresso inimigo do povo.



CERTAMENTE:


Estamos prontos, 

Para infelizmente, ser:

Os campeões moral, do grupo C,

Da copa do mundo. 


Putz, esta história de campeão moral, 

Era do tempo da ditadura, que,

Perdeu a copa, para uma outra ditadura, 

Em que a submissa mérdia entteguista, 

Precisava entregar um culto vitimista, 

Sem no entanto, cultuar...

Uma outra ditadura.


Já, que todas as ditaduras daquele tempo, 

Foram instaladas, para o bem-estar do Tio San.


Anesino Sandice


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