segunda-feira, 7 de outubro de 2024

TOMO MDCXXVII - COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA


Muito provavelmente, eu esteja tomado por uma outra memória afetiva, pois, ontem, encontrei um senhor saudosista, que insistia em falar dos bons tempos de sua infância, primeiro, nossa faixa etária, é exatamente a mesma, assim, os bons tempos dele, seria exatamente os mesmos que os meus.

domingo, 6 de outubro de 2024

Navio da Marinha da Nova Zelândia afundou.

Um navio da Marinha Real da Nova Zelândia virou e afundou no Oceano Pacífico após atingir um recife, informou a Força de Defesa da Nova Zelândia (NZDF).

De acordo com uma declaração divulgada no domingo, o navio de apoio a mergulho e pesquisa hidrográfica HMNZS Manawanui encalhou perto da costa sul da ilha de Upolu, em Samoa, na noite de sábado. O navio estava em uma missão de pesquisa quando o incidente ocorreu.

O navio teria perdido energia e foi levado para um recife, onde adernou, pegou fogo e posteriormente virou. "A causa exata do encalhe é desconhecida e isso precisará de mais investigação", disse a Marinha, acrescentando que estava trabalhando para "minimizar os impactos ambientais". Os moradores agora temem uma significativa folha de óleo do navio no recife que estava pesquisando.

Todas as 75 pessoas a bordo foram resgatadas e levadas para terra em condições climáticas difíceis pela Autoridade de Serviços de Incêndio e Emergência de Samoa. Três marinheiros foram hospitalizados.

Eles estão todos em terra. Estão sãos e salvos, exceto por alguns indivíduos que... têm ferimentos leves, então os tratamos no local e os transferimos para o hospital”, disse o comissário de incêndio de Samoa, Tanuvasa Petone, conforme citado pela Rádio Nova Zelândia. Ele acrescentou que o clima estava “bastante áspero e ventoso”.

Um P-8A Poseidon da Força Aérea Real da Nova Zelândia foi mobilizado para auxiliar na operação de resgate. “Estamos muito gratos pela assistência de todos os envolvidos”, disse o Comandante do Componente Marítimo, Comodoro Shane Arndell.


A ministra da Defesa da Nova Zelândia, Judith Collins, descreveu a perda do navio como "um dia realmente terrível". Não havia "muita chance" de salvar o navio, ela disse.

O Manawanui foi construído em 2003 e comprado pela Marinha por US$ 63,4 milhões em 2018. Ele operava principalmente como um inspetor de depósitos de petróleo e gás, mas também ajudava a escanear o fundo do oceano em busca de munições da Segunda Guerra Mundial.

Tempos estranhos por: Anesino Sandice

 


PITIÚ DA POSSE - GELITUDE
AS HORAS QUE ME PESA O TEMPO -  MINHAS FELICIDADES

TOMO MDCXXVI - ANALISANDO O INALIZÁVEL


Estas eleições municipais, ou melhor, toda e qualquer eleição, deveriam trazer lições para melhor o mundo. Porém nesta última, as lições, são mesmo mil e tantas "deslições".

sábado, 5 de outubro de 2024

Humanos contra o genocídio manifestam-se em diversas cidades da Europa

Milhares de manifestantes marcharam em cidades de todo o mundo no sábado para pedir um cessar-fogo em Gaza e no Líbano no primeiro aniversário da guerra entre Israel e o Hamas.
Apoiantes pró-palestinos manifestaram-se em cidades do Reino Unido, Itália, Irlanda, França, África do Sul e Suíça para exigir o fim da guerra, que já deixou quase 42 mil mortos em Gaza, no início de uma série de protestos organizados.

Dezenas de eventos de protesto e memoriais estão sendo convocados para o primeiro aniversário do ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro, que deixou 1.205 mortos, principalmente civis, e 251 reféns (97 deles ainda em cativeiro).

Em Londres, manifestantes, vindos de todo o país e carregando faixas e bandeiras palestinas e libanesas, marcharam pelo centro da capital britânica, entoando slogans como “Cessar fogo agora!”, “Do rio ao mar, a Palestina vai seja livre!" ou "Tire as mãos do Líbano".

Zackerea Bakir, 28 anos, disse que já participou de dezenas de protestos no Reino Unido.

Muitas pessoas continuam a aderir porque “todos querem uma mudança”, disse ele à AFP.

Está ficando cada vez pior e nada parece estar mudando”, acrescentou.

"Um cessar-fogo agora"

O protesto na capital britânica foi liderado, entre outros, pelo ex-líder trabalhista Jeremy Corbyn (agora independente) e pelo ex-primeiro-ministro escocês Humza Yousaf.

"Precisamos de um cessar-fogo, um cessar-fogo agora. Quantos mais palestinos ou libaneses inocentes devem morrer?", perguntou Sophia Thomson, 27 anos, que participou da marcha com seus amigos.

O fato de sermos tantos mostra que o governo não fala em nome do povo”, acrescentou.
Vários manifestantes carregavam cartazes que diziam "Starmer tem sangue nas mãos".

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, apelou ao cessar-fogo em Gaza e à libertação dos reféns detidos pelo Hamas, bem como à suspensão de algumas licenças de armas para Israel.

A polícia de Londres, que desencadeou uma operação massiva, anunciou a prisão de quinze manifestantes.

No domingo, a capital britânica será palco de uma manifestação em memória dos mortos no ataque do Hamas.

“Uma Gaza livre”

Em Roma, uma marcha na qual participaram milhares de pessoas acabou por levar a confrontos entre manifestantes pró-palestinos e a polícia, com lançamento de garrafas, fogos de artifício, gás lacrimogêneo e uso de canhões de água, notaram repórteres da AFP.

Queremos que Gaza seja livre!”, “A revolução começou em 7 de Outubro!”, “A Itália deve parar de vender e enviar armas para Israel, devemos parar imediatamente o genocídio em Gaza!” ou “Israel, um estado criminoso!”, gritaram os manifestantes.

Em Dublin, várias centenas de pessoas manifestaram o seu apoio aos habitantes de Gaza com gritos de “liberdade e justiça para os palestinianos”.

Em França, várias centenas de pessoas marcharam em Paris e noutras grandes cidades como Lyon e Toulouse para mostrar a sua “solidariedade com os palestinianos e libaneses”.

Na capital francesa, a manifestação, que gritava “A Palestina viverá, a Palestina vencerá”, foi liderada por políticos da esquerda radical, incluindo o líder da Insoumise France (LFI).

Na África do Sul, no centro da Cidade do Cabo, centenas de pessoas manifestaram-se agitando bandeiras palestinas e gritando slogans anti-Israel como “Israel é um Estado racista”.
Os manifestantes, muitos deles usando lenço de estilo beduíno (kefia), símbolo da luta palestina contra Israel, marcharam em direção ao Parlamento sul-africano.

Muitos deles foram a favor da queixa da África do Sul ao Tribunal Internacional de Justiça (CIJ). Pretória afirma que a ofensiva israelita em Gaza viola a convenção da ONU de 1948 contra o genocídio.

Observe o fluxo do rio China - Pepe Escobar

Como um rio tranquilo que atravessa uma região rochosa, a China flui silenciosamente em seu caminho para a primazia pacífica.
O site líder Guancha publicou a transcrição de uma palestra de primeira classe na Universidade Renmin sobre as relações China-EUA por Martin Jacques, autor de When China Rules the World . Jacques é um dos poucos acadêmicos ocidentais com experiência prática que realmente entende a psique e o modo de vida chineses em contraste com o Ocidente.

Uma seção particularmente intrigante da palestra diz respeito à pesquisa de Danny Quah, o reitor do amplamente respeitado Lee Kuan Yew Institute em Cingapura. Esta é a citação sobre dinheiro:

“Entre 1980 e 2020, a participação da Europa no PIB global caiu de 26% para 15%. Em outras palavras, caiu 11 pontos percentuais, uma queda muito grande. Embora o declínio nos Estados Unidos tenha sido menor, caiu de 21% na década de 1980 para menos de 16% em 2020. De outra perspectiva, a Ásia e o Leste Asiático estão constantemente aumentando. A participação em 1980 era de 11,5% e aumentou para 25% em 2020. Entre esses 25%, a China fez a maior contribuição, respondendo por 18% do mundo.” 


O que isso ilustra graficamente é a oscilação aguda no centro de gravidade econômica do mundo – não importando os tsunamis retóricos que emanam do Hegemon. Em 1980, o centro econômico era atlantista. Quah, no entanto, acredita que o centro econômico alcançará a fronteira sino-indiana apenas em 2050.

Quando consideramos a China somada aos 10 membros da ASEAN, sem sequer considerar o Sul da Ásia, é justo argumentar que o centro econômico já estará no Leste em 2030 e será sino-indiano antes de 2040.

Jacques está correto ao dizer que até lá “a ‘Era Asiática’ substituirá a ‘Era Ocidental’, e desde 1750, o mundo sempre esteve na Era Ocidental”. Em uma nota pessoal, depois de viver e trabalhar na Ásia durante a maior parte das últimas três décadas, qualifico nosso século como “O Século Eurasiano”.

E essa, em poucas palavras, é a razão pela qual as elites hegemônicas/atlantistas estão em modo Pânico Profundo. O almoço grátis – de explorar a riqueza do Sul Global – está chegando ao fim.

Hong Kong de volta aos holofotes
A China já elaborou o plano diretor de sua estratégia de desenvolvimento até 2035 e, em muitos aspectos, até 2049. A conjuntura atual, porém, é extremamente complicada.

O Banco Popular da China está levando muito a sério os ajustes necessários da economia. No início desta semana, o PBoC anunciou cortes na taxa de hipoteca pendente e na taxa de reserva obrigatória: essa é a quantidade de dinheiro que os bancos comerciais precisam manter como reservas. O PBoC também cortou a taxa de política de referência e impulsionou os mercados de capital.

Então, o Politburo, presidido pelo próprio presidente Xi Jinping, interveio com força total, prometendo proteger as empresas privadas da China; finalmente estabilizar o sempre instável setor imobiliário; e adotar as despesas fiscais necessárias.

Essa é a frente doméstica. Na frente externa, a China está a todo vapor. A principal prioridade é a lenta, mas segura, internacionalização do yuan. E é aí que entra o papel crucial de Hong Kong – conforme detalhado em um relatório da Renmin University.

A China já está desdolarizando a uma velocidade quase vertiginosa. A participação do dólar americano no comércio bilateral já caiu de 80% para menos de 50%.

A China agora está negociando com o mundo principalmente em yuan – e o petroyuan nem está em pleno vigor. Desde o início do SMO pela Rússia na Ucrânia em fevereiro de 2022, o yuan é a moeda de reserva asiática de fato para a Rússia. Paralelamente, Pequim está acelerando swaps de moeda em todo o espectro e designando mais bancos de compensação ao redor do mundo.

Hong Kong está em uma classe própria quando se trata de instituições financeiras de última geração. Daí a conexão ser inevitável para investidores globais: todos os tipos de negócios estão abertos na China via Hong Kong, com o bônus adicional de evitar sanções da Hegemon.

Então, de agora em diante, Hong Kong será ainda mais um Santo Graal para todos os tipos de transações denominadas em yuan. Fale sobre um ímã para magos da tecnologia financeira.
Hong Kong já é o maior mercado mundial para o yuan offshore – processando quase 80% de todas as liquidações. Três meses atrás, de acordo com a Autoridade Monetária de Hong Kong (HKMA),

a Região Administrativa Especial tinha US$ 151,7 bilhões em depósitos offshore.

Um alto executivo da HKMA não por acaso compareceu ao Eastern Economic Forum em Vladivostok no início deste mês. Com altas taxas de juros dos EUA e baixas taxas de juros do PBoC, títulos offshore em yuan serão emitidos como se não houvesse amanhã.

Destruição nuclear ou uma nova ordem

De Pequim a Hong Kong, as elites político-econômicas chinesas estão bastante confortáveis ​​com o fato de que, pela primeira vez na história, a ascensão de uma grande potência não está sendo condicionada pelo imperialismo, guerra, escravidão, pilhagem e tudo isso, mas pelo que foi codificado desde as reformas do Pequeno Timoneiro Deng Xiaoping no final da década de 1970 como "desenvolvimento pacífico".

Isso se reflete em vários conceitos, como ganha-ganha; prosperidade mútua; igualdade; “comunidade de futuro compartilhado para a humanidade”; e como um projeto geoeconômico mestre, os corredores de conectividade interligados na Iniciativa do Cinturão e Rota (BRI).

Enquanto a China investe no desenvolvimento de infraestrutura ao redor do mundo, o Hegemon impõe sanções, realiza bombardeios, apoia variações das Guerras Eternas, financia e arma revoluções coloridas.

A "estratégia" hegemônica que mal se qualifica como mediocridade absoluta abrange desde o financiamento do governo dos EUA para uma campanha de US$ 1,6 bilhão para difamar a China até os republicanos divididos sobre se a mudança de regime em Pequim é seu objetivo final e o embaixador democrata em Pequim convencido de que a política de Washington em relação à China não é muito agressiva.
Depois, há o insignificante funcionário e Secretário de Estado Adjunto Kurt Campbell — o homem que inventou o "pivô para a Ásia" durante o primeiro governo Obama — ordenando que os europeus sejam agressivos com a China e definindo Pequim diante do Comitê de Relações Exteriores da Câmara como "o desafio mais significativo da nossa história".

Muito poucos QIs acima da temperatura ambiente em toda a Ásia prestam atenção a tais palhaços. Em contraste, o que está surgindo agora em discussões informadas do Sul ao Sudeste Asiático é que o progresso do BRICS não será estável o suficiente se a ênfase permanecer em decisões consensuais.

Está surgindo uma proposta ousada de que a Rússia e a China – os atuais líderes do BRICS – devem anunciar na cúpula em Kazan no mês que vem que estão apoiando uma aliança yuan/rublo/ouro: como se o mundo precisasse escolher entre a hegemonia do OTAN ou uma alternativa do BRICS, melhor começar com dinheiro sólido (real).
Além da viabilidade de tal proposta, há uma crítica séria à Utopia; a Maioria Global deve ser pressionada a encarar a dura realidade que enfrenta – destruição nuclear ou uma nova ordem imperfeita e em evolução – e tomar uma posição, rápido.
Enquanto isso, como um rio tranquilo que atravessa uma região rochosa, a China flui silenciosamente em seu caminho para a primazia pacífica.

Chefe militar de Uganda emite ultimato ao embaixador dos EUA

O embaixador dos EUA, William Popp, deve se desculpar com o presidente de Uganda, Yoweri Museveni, ou deixar o país do Leste Africano, de acordo com o chefe das Forças de Defesa, general Muhoozi Kainerugaba.

Desde que Popp se tornou o enviado de Washington em setembro de 2023, um número crescente de autoridades ugandenses foram colocadas sob sanções dos EUA. No início desta semana, quatro dos principais policiais do país foram colocados na lista negra do Departamento de Estado por acusações de violações de direitos humanos, incluindo tortura. De acordo com a mídia local, a embaixada dos EUA na capital, Kampala, tem trabalhado ativamente com ONGs e grupos de oposição.

Em uma série de postagens no X na sexta-feira, Kainerugaba culpou Popp por “desrespeitar” seu pai, o presidente Museveni, e “minar” a constituição do país.

"Se este atual embaixador dos EUA não se desculpar pessoalmente com Mzee (presidente Museveni) até segunda-feira de manhã (9h00) por seu comportamento pouco diplomático em nosso país, exigiremos que ele deixe Uganda", escreveu ele.

O chefe militar enfatizou que as autoridades ugandenses “amam e admiram” os EUA e não têm “nenhum problema” com o país. “Mas ultimamente temos muitas evidências de que eles têm trabalhado contra o governo do NRM”, ele acrescentou.

O Movimento de Resistência Nacional (NRM), que foi fundado pelo presidente Museveni, é o partido governante em Uganda desde 1986.

Kainerugaba disse que não era uma questão pessoal com Popp, mas "uma questão nacional". Ele enfatizou que "nenhum país estrangeiro jamais dominará Uganda novamente". A nação africana foi uma colônia britânica entre 1894 e 1962.

O general não especificou as ações exatas do embaixador dos EUA que o fizeram emitir o ultimato. Popp ainda não reagiu.

Kainerugaba, 50, já havia anunciado planos de concorrer à eleição presidencial de 2026, mas no mês passado ele apoiou seu pai de 80 anos para tentar um sétimo mandato.

Em agosto, o chefe militar declarou-se “putinista” e prometeu “enviar soldados [ugandenses] para defender Moscou se alguma vez esta fosse ameaçada pelos imperialistas”.

Quando o último imperador do Brasil foi ao Egito

When the last emperor of Brazil went to Egypt

Em 5 de novembro de 1871, um grupo de 15 viajantes, entre eles o célebre arqueólogo francês François Auguste Mariette, fundador do Museu Egípcio no Cairo, chegou às pirâmides de Gizé, após participar de um missa em uma igreja franciscana.
Chefiando a trupe havia um convidado especial: Dom Pedro II. O então imperador do Brasil não foi apenas o primeiro chefe do Estado brasileiro a viajar ao Império Otomano e Oriente Médio, como o primeiro líder das Américas a visitar o Egito.

“Parecem pequenas até chegar a elas e só se faz ideia da altura da grande pirâmide quando se observam os que por ela trepam e vão-se tornando cada vez menores”, escreveu Dom Pedro em seus diários, parte do extenso arquivo do Museu Imperial de Petrópolis, no Rio de Janeiro. “Subi facilmente ajudado pelos árabes e no cimo reunimo-nos mais de trinta … Logo que atingimos o alto da pirâmide soltamos muitos hurrahs, agitamos os lenços”.

Dom Pedro II e sua esposa, Dona Thereza Cristina, partiram do Rio de Janeiro, então capital do país, cinco meses antes para sua primeira viagem internacional, ao delegar as responsabilidades do trono a sua filha, a princesa regente Isabel.

Conhecido por seu interesse em culturas e idiomas distintos, com ênfase no mundo antigo e na emergente arte da fotografia, Dom Pedro II, com 46 anos, embarcou em uma jornada que durou 11 meses e o levou à Europa e ao Oriente Próximo.

“Subi facilmente com a ajuda dos árabes, e lá em cima éramos mais de trinta”,
 escreveu D. Pedro II em seus diários

Roberto Khatlab, autor do livro As Viagens de Dom Pedro II (Benvirá, 2015), descreve a viagem, realizada ainda no século XIX, como revolucionária. “Dom Pedro II estudou e leu sobre o Oriente Médio, seu povo, sua cultura, seus idiomas e suas crenças”, explicou Khatlab ao Middle East Eye. “Em 1871, decidiu que era hora de conhecer a região”.

Após meses de viagem à Europa, onde visitou a França logo depois da queda de Napoleão III, e a Alemanha, ainda bastante jovem, de seu processo de unificação, Dom Pedro II chegou ao porto de Alexandria, na manhã de 28 de outubro, recebido com todo protocolo do Império Otomano. Entre a delegação de boas-vindas, estava o cônsul honorário do Brasil, Michel Debbané.

O grupo embarcou a seguir em uma extensa jornada transformada, que Dom Pedro II usou para explorar o país, estabelecer contatos e descobrir novas tecnologias e sabedorias ancestrais que poderiam beneficiar seu regime, além de torná-lo conhecido no Oriente Médio.

O Brasil se tornou conhecido no Oriente graças ao imperador e àquilo que o jornal em árabe da época publicou sobre sua visita”, destacou Khatlab. “Em minhas pesquisas, encontrei jornais [de arquivo] que apresentavam o Brasil a seus leitores; o imperador em si foi um dos fatores a atrair os árabes ao país”.

No 150° aniversário da viagem de Dom Pedro II ao Egito, em novembro de 2021, a embaixada do

Brasil no Cairo, em parceria com o Ministério da Cultura do Estado norte-africano, publicou pela primeira vez parte de sua coleção de fotografias sobre a turnê.

A exibição tinha como intuito celebrar os laços históricos entre Brasil e Egito ao trazer à luz um importante patrimônio brasileiro”, afirmou Fernanda Tansini, então adida cultural da embaixada brasileira no Cairo e organizadora do evento.

Com o título De volta ao Egito, a exposição tomou corpo no Centro de Arte Gezira, uma galeria situada no Palácio Príncipe Amry, no rico distrito de Zamalek. O evento se dividiu em duas salas: a primeira dedicada a Dom Pedro II e sua viagem de 1871; a segunda reservada a seu retorno ao país cinco anos depois. Em uma terceira sala menor, imagens da coleção pessoal do imperador são projetadas em looping.

Visitantes egípcios se surpreenderam ao ver essas imagens pela primeira vez e adoraram ver o país aos olhos de Dom Pedro II, por fotografias que ele mesmo tirou e pelo que ele escreveu em seus diários”, comentou Tansini. “Muitas pessoas me disseram que não conheciam a história do Brasil, que não sabiam que tivemos um imperador, muito menos que viajou ao Egito — ficaram fascinadas com essa história”.

Atraído ao Egito

A publicação Description de L’Égypte, de 1809 a 1828, uma compilação de pesquisas conduzidas no país durante a campanha militar de Napoleão Bonaparte e sua subsequente ocupação, junto dos hieróglifos decifrados em 1822, ajudou a criar uma onda de fascínio global pelo Egito e pelo Oriente Médio.

Dom Pedro I, coroado primeiro imperador do Brasil após declarar a independência de Portugal, em 1822, reuniu a maior coleção de artefatos egípcios da América Latina e certamente passou seu deslumbramento ao príncipe.
Pedro II foi coroado em 1841 com apenas 15 anos de idade. Logo desenvolveu um interesse nos campos da arte, fotografia e história antiga. O segundo imperador trocou correspondências com egiptólogos conhecidos e estudou 15 idiomas — entre os quais, o árabe. Em 1886, participou da tradução das Mil e Uma Noites, das quais notas não publicadas são mantidas no Museu Imperial de Petrópolis.

Acredita-se que Dom Pedro II foi a primeira pessoa do Brasil a registrar sua própria imagem em um daguerreótipo — processo primordial da fotografia. Sua paixão pela técnica o levou a reunir 23 mil fotos ao longo de sua vida, das quais 500 do Egito. As imagens são parte da Coleção Dona Thereza Cristina Maria, preservada pela Biblioteca Nacional, que também abarca livros, jornais, mapas e selos da época. A coleção é considerada Patrimônio da Humanidade e primeiro arquivo brasileiro a integrar o Programa Memória do Mundo da Unesco.
Devido à expertise limitada sobre a conservação fotográfica, a maioria de seus originais doados ao museu foi mantida intocada por quase um século. Somente em 2003, suas imagens vieram a público, por meio de uma exposição em São Paulo.

Quanto aos seus diários, conforme Khatlab, o imperador sempre carregou consigo um pequeno caderno, no qual costumava escrever no fim de cada dia, ao equilibrá-lo sobre seus joelhos ou sobre as pedras que encontrava no caminho, frequentemente à luz de uma vela.

O diário representa todo um texto sobre história, antropologia, sociologia, religião, arquitetura, costumes, botânica e tecnologia”, destacou Khatlab ao Middle East Eye. Os originais continuam em Petrópolis.

Tanto os escritos quanto as imagens equivalem a documentos e fontes valiosíssimos sobre toda uma era de profundas transformações históricas, a partir de uma perspectiva privilegiada. Ainda além, revelam fragmentos do pensamento da época e suas descobertas científicas, assim como suas relações diplomáticas e toda uma diversidade política, cultural e social.

São uma tremenda fonte de informações, pouquíssimo estudada”, comentou Joaquim Marçal Ferreira de Andrade, então coordenador do programa digital da Biblioteca Nacional, ao Middle East Eye. “Não temos, até este momento, uma coleção como essa em todo o mundo. É isso que a torna especial”.

Fortalecendo laços
Além do fascínio de Dom Pedro II com a história e a arqueologia do Egito, o que o atraiu ao país foi também sua intenção de fortalecer laços políticos e comerciais e forjar contatos. Dom Pedro expressou seu desejo de se familiarizar com novas tecnologias e conhecimentos de agricultura, indústria e infraestrutura, potencialmente úteis ao desenvolvimento do Brasil.

No ano de 1858, ambos os impérios — brasileiro e otomano — assinaram um pacto de amizade, comércio e navegação. Em 1865, Dom Pedro enviou um cônsul honorário a Alexandria, o libanês Debbané, focado em robustecer pontes econômicas e diplomáticas com a região. A chegada de Dom Pedro II ajudou nas relações.

Sua primeira viagem, em 1871, foi relativamente curta. Contudo, durante o período, Pedro II foi capaz de se familiarizar com a dinâmica do porto de Alexandria, explorar ferrovias, navegar pelo recém-nascido Canal de Suez, visitar outras cidades como Porto Said e conversar com o quediva Ismail — isto é, o governador responsável. Pedro II visitou moinhos de açúcar construídos pela França e registrou detalhes da rede ferroviária e de navegação, incluindo Suez, ao considerar a abertura de canais em seu próprio país. Dom Pedro passou um dia em Alexandria, seguiu a Suez e embarcou em uma viagem de quatro dias às cidades de Ismalia e Porto Said, em um pequeno navio a vapor, também uma tecnologia recente.
Passou uma semana explorando o Cairo e realizou seu sonho de conhecer as pirâmides de Gizé. Na cidade, foi hospedado no Grande Novo Hotel, ao recusar a acomodação oficial durante toda sua visita, e permanecer por mais de uma semana. Seu primeiro dia na capital, 3 de novembro, foi movimentado, a começar pela Mesquita Mohammad Ali, na Cidade Velha:

 

A mesquita merece algumas palavras. O interior é de alabastro e vastíssimo e o zimbório eleva-se majestoso. Muitos passarinhos esvoaçavam chilrando dentro da mesquita e os árabes consideram isto como sinal de felicidade. O átrio cercado de arcadas que precede a mesquita também é belo e está cheio de cordas pendentes para lustres, sobretudo no Ramadan, que se aproxima.



Da mesquita, o imperador seguiu ao emblemático Museu de Antiguidades de Bulak, hoje Museu Egípcio em Tahrir, onde declarou se sentir “maravilhado do grau de perfeição da escultura entre os egípcios, 4.000 anos antes de J. C. [Jesus Cristo]”.

Sobre seu encontro com o quediva Ismail Pasha, escreveu: “É inteligente e fala bem o francês, mas creio que por seus hábitos de sibarita nunca será verdadeiramente reformador”. Também presente na ocasião, seu ministro de Negócios Estrangeiros, Nubar Pasha, assim foi descrito: “É muito inteligente, porém servilíssimo”.

O imperador sentiu que sua viagem seria incompleta sem um pouco de teatralidade e exotismo. Então, em 6 de novembro, visitou Matareya, distrito no norte do Cairo onde montou um camelo em vestes tradicionais do país.

 

Estive em Heliópolis [uma das cidades mais antigas do Egito], ou Matarieh dos árabes, onde examinei o obelisco de Ositarsen I […] O obelisco está 15 pés enterrado na areia, mas assim mesmo honra os séculos de Moisés e Platão. Antes de aí ter ido, colhi folhas de um belo sicômoro que chamam a árvore da Virgem, por ser de tradição que à sua sombra descansara N. Sra. na fugida para o Egito [conforme a Bíblia].



Naquela noite, Dom Pedro II e Dona Thereza Cristina vivenciaram a opulência da corte otomana. Foram convidados a jantar na residência do quediva, com um menu de 15 pratos, como poisson au gratin Genevoises, filet de bœuf a l’anglaise e asperge en branche Hollandaise.
Antes de deixar o Cairo, em 8 de novembro, o imperador brasileiro conseguiu tempo para visitar a biblioteca do Instituto Egípcio, administrada pelo arqueólogo alemão Heinrich Karl Brugsch.

Há alcorans curiosos, um sobretudo por ser do tempo do Saladino. Brugsch apresentou-me na biblioteca um poeta árabe que há de fazer-me versos e outro árabe que tem traduzido muitos livros franceses para a instrução pública. […] O aspecto de uma escola árabe é curioso, por causa do balancear constante do corpo dos alunos, quando lêem o Koran. Disseram-me que, imitando assim a oscilação dos que montam em camelo, comemoram a fugida de Mohammed de Medina para Meca.

Na manhã seguinte, Pedro II se reuniu novamente com Debbané e partiu do país, rumo à Itália. Durante a jornada pelo Mar Mediterrâneo, celebrou o clima.

A visita de Dom Pedro II foi uma das bases que ajudou a nutrir e fortalecer laços entre o Brasil e o Império Otomano”, observou Khatlab. “Assim, o Egito se tornou uma espécie de trampolim a emigrantes libaneses e sírios [então cidadãos otomanos] ao Brasil, um país que conheceram por meio do imperador e dos relatos de sua viagem nos jornais árabes de então, incluindo o [jornal egípcio] Al Ahram”.

Dom Pedro encontrou tempo para retornar ao Egito em dezembro de 1876, como parte de uma nova jornada de 18 meses que o levou, junto de uma seleta corte, a América do Norte, Europa, Oriente Médio e Norte da África. Desta vez, passou poucos dias em Porto Said e no Cairo, antes de partir em um cruzeiro pelo rio Nilo, onde conheceu as cidades históricas de Luxor e Assuã e o célebre templo de Abu Simbel. Deixou o Egito novamente em Janeiro do ano seguinte.

O reinado de Dom Pedro II durou 49 anos, e encerrou-se com a Proclamação da República. No exílio, em Paris, jamais voltou ao Egito e faleceu em 5 de dezembro de 1891.

Dom Pedro II mostrou um notável fascínio com os processos de descoberta de onde viemos e para onde vamos, pesquisou astronomia e cada campo do conhecimento ligado à compreensão de nosso passado como seres humanos”, relatou Ferreira de Andrade. “Fez apenas três viagens ao exterior; em duas delas, visitou o Egito. Era absolutamente fascinado e se sentia conectado com sua história e sua cultura”.

TOMO MDCXXV - A UM PASSO DA ETERNIDADE, OU DE UMA REPETIÇÃO


Há uma grande distopia entre o ganho da inteligência e do domínio de uma língua arredondada, "que permite a certas aves" reproduzirem sons de falas humanas. Enquanto a inteligência nos leva a interagir com as realidades, criando, inclusive, novos verbetes, a língua arredondada, só repete as mesmas palavras de seu universo.

sexta-feira, 4 de outubro de 2024

ONU denuncia massacre no Haiti

O Escritório das Nações Unidas no Haiti (ONU Haiti) informou esta sexta-feira que no recente massacre perpetrado por uma gangue em Pont Sondé, Haiti, morreram 70 pessoas, o triplo do número inicialmente relatado, incluindo três bebês. O Haiti é o maior aliado dos EUA contra Cuba no Caribe.

Estamos horrorizados com os ataques de gangues na quinta-feira em Pont Sondé, departamento de Artibonita, no Haiti. Membros da gangue Gran Grif, com rifles automáticos, atiraram contra a população, matando pelo menos 70 pessoas, incluindo cerca de 10 mulheres e três bebês. ", disse a ONU Haiti em um comunicado.

Segundo o Gabinete, pelo menos 16 pessoas ficaram gravemente feridas, incluindo dois membros de gangues envolvidos numa troca de tiros com a polícia haitiana.

Relatos da imprensa indicam que Gran Grif executou o massacre na noite de quinta-feira, depois de incendiar cinquenta casas e trinta veículos, em resposta às tentativas de um grupo de autodefesa local para impedir que a gangue impusesse a cobrança de aluguéis e pedágios no país. área.

Apelamos a um aumento da assistência financeira e logística internacional à Missão Multinacional de Apoio à Segurança no Haiti”, apelou a ONU Haiti, que também exigiu uma investigação rápida e completa do ataque, a acusação dos responsáveis ​​e a reparação das vítimas.
Um dia antes do massacre, o líder da gangue, Savien Luckson, anunciou que puniria a população de Pont Sondé.

O primeiro-ministro do Haiti, Gary Conille, chamou o crime de "covardia absoluta", chamando-o de um ataque a toda a nação.

A Polícia Nacional Haitiana (PNH) enviou a sua Unidade Temporária Anti-Gangues (UTAG, sigla em francês) como reforço no terreno para localizar centros do crime organizado em Artibonite.

O Haiti está há muito atolado numa crise socioeconómica e política que se agravou após o assassinato do Presidente Jovenel Moise em Julho de 2021.

Desde então, a inação do governo levou a um aumento sem precedentes da violência por parte de gangues que controlam áreas inteiras do país e praticam extorsões e sequestros em troca de resgate.

Mais de 110 mil haitianos foram forçados a fugir de suas casas nos últimos sete meses devido à violência de gangues criminosas, especialmente em Gressier, segundo um relatório publicado no início de outubro pela Organização Internacional para as Migrações (OIM).


A OIM estima que mais de 700.000 pessoas, das quais mais de metade são crianças, estão atualmente deslocadas internamente no Haiti; O número representa um aumento de 22% em relação a junho.

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GUERRA CONTRA AS DROGAS: A velha ladainha americana para intervir na América Latina

Desde o seu início, na década de 1970, a guerra às drogas promovida por Washington na América Latina tem sido alvo de controvérsia e debate....

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